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Trabalhos

 painéis, murais, revestimentos personalizados e objetos exclusivos


Quem somos

Desde 1979, ocupávamos uma parte das instalações da Cerâmica Brasil, que produzia cerâmica vermelha para construção (telhas, tijolos etc), onde paralelamente, também, produziamos pequenas quantidades de objetos artesanais de terracotta e ensaiávamos experimentalmente a produção de gres e porcelana.

Entretanto, com a crise econômica e a recessão, a produção de cerâmica estrutural foi desativada em 1998. A partir de então, iniciamos a readequação das instalações existentes e adquirimos alguns equipamentos necessários para ampliar a produção de produtos artesanais. Desta forma, demos ênfase à área de revestimentos personalizados; assim também, como a criação de peças originais de cerâmica artística vitrificada, como painéis e murais em relêvo, fabricados de terracotta revestida (esmaltada) com vidros coloridos por óxidos metálicos e fundidos a 1050 ºC.

Produzindo objetos artesanais e de arte, com maior valor agregado e facilmente transportáveis, acreditamos poder derrubar as fronteiras territoriais que nos limitava, tendo em vista, principalmente, o nicho das classes de maior poder aquisitivo - privilegiadas dentro do contexto globalizado da economia.
Desta maneira, mesmo encerrando as atividades da nossa pequena empresa e demitindo abnegados funcionários, procuramos superar ou pelo menos minimizar os obstáculos que nos afronta. Entre eles, a corrupção institucionalizada recarcitrante e generalizada dos funcionários públicos (principalmente dos fiscais do Trabalho com suas leis fascistas) atuando dentro desta política de "terra arrazada" a que estamos submetidos.

Temos que admitir, no entanto, que foi graças ao advento da Internet que pudemos ultrapassar todas essas fronteiras para muito além da mediocridade asfixiante que nos envolvia, abrindo as nossas asas sobre um mundo novo...
 
Mas, como ?... afinal, estamos aqui divagando sobre a "arte"da sobrevivência, sobre a política do aniquilamento nacional ou sobre artes plásticas?

Tem tudo a ver... acredito, que para a maioria dos artistas brasileiros a arte da sobrevivência está intrínsecamente ligada à todas as outras modalidades de artes, acima de tudo, para aqueles que sempre tiveram em suas vidas a grande frustração de ter que estar exercitando a arte da sobrevivência em detrimento do seu verdadeiro dom...

Afinal, quem sou eu para atrever-me a falar assim... de artes (?)... Sem nenhuma credencial que me autoriza...
É melhor me apresentar:

Sou autodidata na área de cerâmica artística. Cursei durante dois anos (entre 1958 e 1960) a faculdade de arquitetura de Montevidéu (Uruguay) .  Lá, conheci um grande ceramista de nome internacional - Marcos Lopes Lombard - que era meu professor de "Expressão gráfica", na faculdade. Foi através dele que recebi os primeiros impulsos na área da cerâmica artística, quando então, a seu convite comecei a freqüentar seu atelier, ficando fascinado por essa arte. Ali, também conheci outro ceramista braileiro de nome Sílvio que, também me convidou para trabalhar em seu atelier, onde o ajudei a contruir um forno elétrico.

No final do ano de 1960, durante o intervalo de um ato festivo realizado no Instituto Cultural Uruguaio-soviético, presenteei ao adido cultural da embaixada russa com uma "obra" minha, realizada no atelier do professor Lopes Lombard.  Esse gesto valeu-me, dias depois, uma bolsa de estudos em Moscou.  Não se pode afirmar que, o que impressionou mais o russo foi a arte da "obra" ou o gesto do "artista"; pois diziam que os russos não entendem nada de arte...

Um mês depois estava eu a caminho de Moscou, juntamente com a  jornalista e
escritora uruguaia Marina Viniars e mais dois bolsistas uruguaios da área de
letras.
Curiosamente, em Moscou, naquela época não pude dar prosseguimento
aos meus estudos de arquitetura porque era considerada pela junta
universitária como sendo, em nossos países, "reduto de pequenos burgueses a
serviço das classes privilegiadas"(?).... Diante de conceitos assim, fazer o que ? Aceitei, então, seguir o curso de engenharia mecânica, onde permaneci por oito anos, tendo no final de 1968 concluído o mestrado em "Termodinâmica Aplicada".  Nesse mesmo ano parti para o Japão onde estive por poucos meses tentando inutilmente, através da má humorada embaixada brasileira, conseguir uma bolsa de estudos na área de cerâmica.

Em plena guerra fria e no período mais feroz da ditadura militar imperante no Brasil, para nós brasileiros com passagens pela Russia (ex-União Soviética), era um grande risco voltar assim como, também, era difícil permanecer por muito tempo em países capitalistas satélites (subservientes) dos Estados Unidos.

Após muitas vicissitudes tive de retornar novamente à Rússia e de lá para França onde após algum tempo consegui visto para Venezuela; para onde parti  permanecendo por dez anos.
Em dezembro1969, após prestar concurso público,  ingressei como professor na faculdade de engenharia (engenharia mecânica) da Universidade Central de Venezuela - em Caracas, DF.  No final do ano de 1978 abandonei o magistério e voltei ao Brasil onde montei uma pequena cerâmica de material de construção aqui na cidade Cáceres (atualmente com 75 mil hab.), minha cidade natal (no Mato Grosso).
Pouco a pouco fui montando a parte da cerâmica artística (meu velho sonho), trabalhando inicialmente com os materiais in natura e produzindo peças de "terracotta". Num laboratório simples, mas, bem organizado, fazia os testes que aprendia nas dezenas de livros que havia adquirido no exterior; tanto de cerâmica como de outras áreas técnicas correlatas.

Em 1982 conheci o Sr. Carlos S.E. de Carvalho em uma palestra sobre
cerâmica artística, na sede da Associação Brasileira de Cerâmica, ainda na
vila Mariana, em São Paulo e dele comprei o meu primeiro forno elétrico.
Em base a esse primeiro, construi outro, mais tarde, para temperaturas de até 1300º C .
Neles começamos a fazer as peças vitrificadas tanto de mayolica como de
louça branca e algumas de porcelana e gres.  Testávamos as fórmulas oferecidas nos livros russos, compatibilizando-as com a nossa matéria prima disponível.
Durante esse período treinava, também, alguns rapazes e moças que me ajudavam.

Em 1987 comprei em São Paulo outro forno elétrico semi-industrial automático, com duas vagonetas,  65 KW , temperatura até 1200º C, da firma THERMOLAB de Guarulhos. Para isso foi necessário, também, a instalação de um grupo
gerador elétrico de 180 KVA, acionado por um motor Scania de 240 HP.
Em 1989 tivemos a nossa primeira encomenda de cerâmica artesanal vitrificada para revestimento sob medida (personalizada), especificada pela arquiteta Fernanda Martins Portocarrero, de Cuiabá, MT.  Todos esses trabalhos foram executados em conjunto com meus auxiliares (2).

Há dois anos, desativamos definitivamente os grandes fornos à lenha e a óleo onde eram feitas também a queima das peças de terracotta e os biscoitos (900º C a 1100º C) e construímos para este fim um forno menor, de 1.90 m de diâmetro, que funciona de forma semi automática utilizando um gasogênio (gerador de gás monóxido de carbono) para queima limpa (sem cinzas e fumaças) apesar de utilizar resíduos de madeira como combustível primário - serragem e cavacos , .
Atualmente, terminamos a construção uma mesa modular com plataformas sobre trilhos onde poderemos executar com bastante comodidade e segurança, grandes murais em alto relevo.

Inicialmente, a minha intenção, era, também, reunir em um só local todos aqueles que sentem a atração natural pelo artesanato cerâmico e artes plásticas em geral e, desta forma poder fazer um intercâmbio de idéias e conhecimentos.  Entretanto, neste item parece que o fracasso foi rotundo, pois ainda não encontrei aqui as pessoas certas.  Apesar de já estarmos sediando uma Universidade Estadual o número de pessoas interessadas nesses temas (de cultura extracurricular) ainda é bastante incipiente. Tenho procurado contatar algumas instituições no sentido de propor o aproveitamento das estruturas existentes, para criação de um embrião de escola de arte, prevendo a contratação de professores e até psicólogos das áreas afins.
Assim, em parceria com instituições educacionais e culturais, poderíamos contribuir mais, no sentido da valorização das artes plásticas, dos artistas e dos artesões locais. Contribuindo também, com o meu modesto conhecimento técnico (prático e teórico) adquirido em muitos anos de vivência e de trabalho com diversos tipos de cerâmica.

Por outro lado, continuamos trabalhando com fervor na implementação dos
equipamentos, ao mesmo tempo em que dou orientação gratuita e incentivo a
alguns poucos interessados que têm me procurado.
Aqui, iniciamos desde a pesquisa dos materiais localizados em nossa região (argilas e outros), de sua preparação, purificação, até a queima final.
Agora, para cocluir, resta-nos dizer que as nossas portas estarão sempre abertas para você também, faça-nos uma visita ...
 

          Joaquim Izidro Souto Fontes



Entre em contato
Email: jfontes@zaz.com.br
Fone: (0 xx 65) 223-4488

Obs.-  Esta página ainda se encontra em construção. Logo publicaremos as fotos de nossas instalações e depois periodicamente as fotos dos nossos trabalhos.

Endereço do atelier
Av. Pedro Alexandrino Lacerda, nº 337
Cavalhada
Cáceres - MT
78200-000
Brasil